depois de chuva temporã
a bruma ressalta o lago
mal desponta a manhã
Nome Comum
Este é um espaço para coisas assim, comuns, e nem tanto.
26.5.12
21.5.12
Receita de paciência
Rale o pau de guaraná
na língua do pirarucu.
sem pressa, uma colher de chá
junte a mesma medida de açúcar
e outra igual de água fresca
num copo apropriado,
pode ser de licor
mexa até obter um creme
sem pressa, a cabeça
deve estar longe.
lugar nenhum, de preferência
complete o copinho
com água fresca
dissolva o creme
concentre-se apenas no que faz
sorva em goles pequenos
vagarosamente
na língua do pirarucu.
sem pressa, uma colher de chá
junte a mesma medida de açúcar
e outra igual de água fresca
num copo apropriado,
pode ser de licor
mexa até obter um creme
sem pressa, a cabeça
deve estar longe.
lugar nenhum, de preferência
complete o copinho
com água fresca
dissolva o creme
concentre-se apenas no que faz
sorva em goles pequenos
vagarosamente
em 19/05/2012
14.5.12
O BAILARINO NEYMAR*
Meio Garrincha, meio Pelé
O moleque da Vila
Segue a vida dando olé
*não resisti e peguei emprestado do Turiba
13.5.12
7.5.12
4.5.12
8.4.12
7.4.12
30.3.12
25.3.12
achados
a tesourinha dobrável
boa de desmanchar
costura
o tempo perdeu
encontrei outra, similar,
descartável de hoje em dia,
guardada no saquinho
da caixinha de socorro
ao vestir, em viagem
presente que o amor me dera
e que o Senhor Tempo
me escondera
23.3.12
dias tristes
hoje a melancolia
me pegou
de jeito
um choro
guardado
no peito
há um vazio
preenchido
de amargura
não há dipirona
que alivie a dor
da alma
me pegou
de jeito
um choro
guardado
no peito
há um vazio
preenchido
de amargura
não há dipirona
que alivie a dor
da alma
21.3.12
16.3.12
Dodeskaden
era um homem trem
em Curitiba
percorria o calçadão
sem nunca mudar o trajeto
rodeava o primeiro poste
parava na mesma loja
imaginária estação
café com pão
café com pão
café com pão
parava para abastecer
sinalizava que ia partir
na sua loucura vadia
animava o dia
do comércio de homens sãos
café com pão
café com pão
Dodeskaden
Dodeskaden
era um homem trem
em Curitiba
percorria o calçadão
sem nunca mudar o trajeto
rodeava o primeiro poste
parava na mesma loja
imaginária estação
café com pão
café com pão
café com pão
parava para abastecer
sinalizava que ia partir
na sua loucura vadia
animava o dia
do comércio de homens sãos
café com pão
café com pão
Dodeskaden
Dodeskaden
13.3.12
12.3.12
Bonita a festa, pá
estamos aqui
a falar
em diferentes
portugueses
da Revolução
dos Cravos
de Getúlio e Juscelino
da guerra
anticolonial
de Samora Machel
só um oceano
nos separa
a falar
em diferentes
portugueses
da Revolução
dos Cravos
de Getúlio e Juscelino
da guerra
anticolonial
de Samora Machel
só um oceano
nos separa
com João Carlos Ferreira Correia
estádio do Porto em 15/12/11
7.3.12
relato de viagem
Em viagem a Braga
a paisagem em torno
da linha do trem,
a que chamam comboio,
muda aos poucos
passamos por pontes
casas simples,
edifícios, sobrados
a temperatura varia,
13º C, 15º C, 16º C
quem diria,
faz calor,
penúltimo dia de outono
o céu resolve me presentear
azul, de brigadeiro
o sol ilumina tudo
o relógio marca 13:05
a voz no trem, automática,
indica a próxima
paragem
Há muitas paragens
entre Porto e Braga
Um grupo de escotismo
outro e outro.
aproveitam o domingo
o que me acompanha,
barulhento, volta do cinema
foram ver Alvin e os esquilos 3
dentro barulho delicioso
dos pequenos
lá fora passam quintais,
plantados de verduras
vi couves
lembrei de tia lídia
os olhos veeem o que
o coração busca
a paisagem em torno
da linha do trem,
a que chamam comboio,
muda aos poucos
passamos por pontes
casas simples,
edifícios, sobrados
a temperatura varia,
13º C, 15º C, 16º C
quem diria,
faz calor,
penúltimo dia de outono
o céu resolve me presentear
azul, de brigadeiro
o sol ilumina tudo
o relógio marca 13:05
a voz no trem, automática,
indica a próxima
paragem
Há muitas paragens
entre Porto e Braga
Um grupo de escotismo
outro e outro.
aproveitam o domingo
o que me acompanha,
barulhento, volta do cinema
foram ver Alvin e os esquilos 3
dentro barulho delicioso
dos pequenos
lá fora passam quintais,
plantados de verduras
vi couves
lembrei de tia lídia
os olhos veeem o que
o coração busca
(em 18/11/12)
6.3.12
21.2.12
bebida refrescante
é simples de fazer
pegue hortelã no vasinho
da varanda, escolha
as folhas maiores, deixe
os brotinhos a crescer
em jarra de vidro,
cristal também pode,
deite as folhinhas lavadas
– bichos, nunca se sabe –
complete com água,
de preferência, gelada
deixe descansar
em lugar frio, ou
à sombra
mantenha a jarra coberta
com tecido, fina rede
transparente, redondo
bordado de contas
– se de Reginalda, um luxo –
em suas pontas
pegue hortelã no vasinho
da varanda, escolha
as folhas maiores, deixe
os brotinhos a crescer
em jarra de vidro,
cristal também pode,
deite as folhinhas lavadas
– bichos, nunca se sabe –
complete com água,
de preferência, gelada
deixe descansar
em lugar frio, ou
à sombra
mantenha a jarra coberta
com tecido, fina rede
transparente, redondo
bordado de contas
– se de Reginalda, um luxo –
em suas pontas
poema torto
ainda usar a pena
inscrevê-la sobre o
papel
cada palavra
escrita, manualmente
desenhada é
um rito
eu, bruxa, ou
louca
repito gesto ancestral
a pena se equilibra
entre as linhas
e caminha,
errante
inscrevê-la sobre o
papel
cada palavra
escrita, manualmente
desenhada é
um rito
eu, bruxa, ou
louca
repito gesto ancestral
a pena se equilibra
entre as linhas
e caminha,
errante
em 02/02/2012
20.2.12
19.2.12
17.2.12
Portugal anywhere
receita de aletria
eu que sempre a comi salgada,
macarrãozinho rápido de ficar pronto
eis o que madalena me ensina
repetindo ritos ancestrais
para sobremesa divina
eu que sempre a comi salgada,
macarrãozinho rápido de ficar pronto
eis o que madalena me ensina
repetindo ritos ancestrais
para sobremesa divina
Aletria:
Ingredientes:
0,5 l de água
0,5 de leite
100 gr. de aletria
150 a 200 gr. de açúcar (dependendo do gosto)
1 colher de chá de açúcar baunilha (facultativo, embora ajude a dar aroma)
1 pau de canela
1 casca de limão
1 colher de margarina
1 ou 2 gemas de ovo
Canela para polvilhar
Modo de preparação:
- deitar o leite e a água numa caçarola (tacho, panela, não sei como dizem no Brasil!), misturando a margarina, o pau de canela e a casca de limão;
- juntar a aletria partida, quando a mistura de água e leite estiver a ferver (deverá parecer demasiado líquido para tanta massa, mas é normal, porque a massa inchará e o açúcar ajudará a tornar o líquido cremoso);
- deixar cozinhar em lume brando, acrescentando progressivamente o açúcar (o ideal é ir provando para adicionar apenas o açúcar necessário);
- se necessário, ou seja, se a massa de aletria ficar demasiado seca, pode-se adicionar um pouco de leite. O resultado deve ser uma espécie de creme e não massa seca (é preferível que se possa comer à colher do que se possa cortar com faca!);
- quando a massa estiver cozida (o que tarda apenas uns 15 min.), acrescentar a(s) gema(s) em fio e mexendo sempre para não retalhar (as gemas dão cor à aletria e tornam o creme mais ‘elástico’);
- retirar do lume, colocar em pratos (com o cuidado de retirar o pau de canela e a casca de limão – que, com o tempo, azedam a aletria) e, quando esfriar, polvilhar com canela.
Pode comer-se morno ou frio.
17.1.12
ESTÃO SE ADIANTANDO
de Affonso Romano de Santanna*
Eles estão se adiantando, os meus amigos.
Sei que é útil a morte alheia
para quem constrói seu fim.
Mas eles estão indo, apressados,
deixando filhos,obras,amores inacabados
e revoluções por terminar.
Não era isto o combinado.
Alguns se despedem heróicos
outros serenos. Alguns se rebelam
O bom seria partir pleno.
O que faço? Ainda agora
um apressou seu desenlace
Sigo sem pressa. A morte
exige trabalho, trabalho lento
como quem nasce.
Eles estão se adiantando, os meus amigos.
Sei que é útil a morte alheia
para quem constrói seu fim.
Mas eles estão indo, apressados,
deixando filhos,obras,amores inacabados
e revoluções por terminar.
Não era isto o combinado.
Alguns se despedem heróicos
outros serenos. Alguns se rebelam
O bom seria partir pleno.
O que faço? Ainda agora
um apressou seu desenlace
Sigo sem pressa. A morte
exige trabalho, trabalho lento
como quem nasce.
*poema feito pelo autor pensando em Bartolomeu Campos Queirós.
gentilmente cedido para publicação neste blog
13.1.12
Imperativos de ano novo
faça mais que sua parte
faça a de um outro, também
sinta-se na pele do outro
chore as dores e os tombos
ruborize-se, do ridículo
seja o outro
busque a dimensão humana
no outro
faça a de um outro, também
sinta-se na pele do outro
chore as dores e os tombos
ruborize-se, do ridículo
seja o outro
busque a dimensão humana
no outro
10.1.12
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