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21.5.12

Receita de paciência

Rale o pau de guaraná
na língua do pirarucu.
sem pressa, uma colher de chá

junte a mesma medida de açúcar
e outra igual de água fresca
num copo apropriado,
pode ser de licor

mexa até obter um creme
sem pressa, a cabeça
deve estar longe.
lugar nenhum, de preferência

complete o copinho
com água fresca
dissolva o creme
concentre-se apenas no que faz

sorva em goles pequenos
vagarosamente

em 19/05/2012

14.5.12

O BAILARINO NEYMAR*



Meio Garrincha, meio Pelé
O moleque da Vila
Segue a vida dando olé




*não resisti e peguei emprestado do Turiba

7.5.12





árvore sem dono

chorou folhas

em meu outono

esta outonice não é minha
foi emprestada pelo 
marcus vinícius gomes

30.3.12


amor
é solúvel
em mágoa

lágrima

superbonder
da alma




gentilmente emprestado pelo
autor, Carlos Moreira

25.3.12

achados

a tesourinha dobrável
boa de desmanchar
costura
o tempo perdeu

encontrei outra, similar,
descartável de hoje em dia,
guardada no saquinho
da caixinha de socorro
ao vestir, em viagem

presente que o amor me dera
e que o Senhor Tempo
me escondera

23.3.12

dias tristes

hoje a melancolia
me pegou
de jeito

um choro
guardado
no peito

há um vazio
preenchido
de amargura

não há dipirona
que alivie a dor
da alma

16.3.12

Dodeskaden
era um homem trem
em Curitiba

percorria o calçadão
sem nunca mudar o trajeto
rodeava o primeiro poste
parava na mesma loja

imaginária estação
café com pão
café com pão
café com pão

parava para abastecer
sinalizava que ia partir

na sua loucura vadia
animava o dia
do comércio de homens sãos

café com pão
café com pão
Dodeskaden
Dodeskaden

13.3.12

aprendi na escola
do dia-a-dia
a regra básica
da poesia

tem dia que sai assim
tintin por tintin

e dia que vem
assado
de verso quebrado


em 10/12/11

12.3.12

Bonita a festa, pá

estamos aqui
a falar
em diferentes
portugueses

da Revolução
dos Cravos
de Getúlio e Juscelino

da guerra
anticolonial
de Samora Machel

só um oceano
nos separa




com João Carlos Ferreira Correia
estádio do Porto em 15/12/11

7.3.12

relato de viagem

Em viagem a Braga
a paisagem em torno
da linha do trem,
a que chamam comboio,
muda aos poucos

passamos por pontes
casas simples,
edifícios, sobrados
a temperatura varia,
13º C, 15º C, 16º C

quem diria,
faz calor,
penúltimo dia de outono

o céu resolve me presentear
azul, de brigadeiro
o sol ilumina tudo
o relógio marca 13:05
a voz no trem, automática,
indica a próxima
paragem

Há muitas paragens
entre Porto e Braga

Um grupo de escotismo
outro e outro.
aproveitam o domingo
 o que me acompanha,
barulhento, volta do cinema
foram ver Alvin e os esquilos 3

dentro barulho delicioso
dos pequenos
lá fora passam quintais,
plantados de verduras
vi couves
lembrei de tia lídia
os olhos veeem o que
o coração busca



(em 18/11/12)

21.2.12

bebida refrescante

é simples de fazer
pegue hortelã no vasinho
da varanda, escolha 
as folhas maiores, deixe
os brotinhos a crescer


em jarra de vidro,
cristal também pode,
deite as folhinhas lavadas
– bichos, nunca se sabe –


complete com água,
de preferência, gelada
deixe descansar
em lugar frio, ou
à sombra


mantenha a jarra coberta
com tecido, fina rede
transparente, redondo
bordado de contas
– se de Reginalda, um luxo –
em suas pontas

poema torto

ainda usar a pena
inscrevê-la sobre o
papel

cada palavra
escrita, manualmente
desenhada é
um rito

eu, bruxa, ou
louca
repito gesto ancestral

a pena se equilibra
entre as linhas
e caminha,
errante


em 02/02/2012

20.2.12

nur

o líbano chegou
em papel pardo
salim que mandou


livros embutidos, 
palavras encadeadas
histórias antepassadas

surreal

o olho, que tudo vê
ou,
o olho, que tudo espia?

o olho que atravessa
a casa
o olho pertence à casa

é um olho de menino

17.2.12

Portugal anywhere

receita de aletria
eu que sempre a comi salgada,
macarrãozinho rápido de ficar pronto

eis o que madalena me ensina
repetindo ritos ancestrais
para sobremesa divina



Aletria:
Ingredientes:
0,5 l de água
0,5 de leite
100 gr. de aletria
150 a 200 gr. de açúcar (dependendo do gosto)
1 colher de chá de açúcar baunilha (facultativo, embora ajude a dar aroma)
1 pau de canela
1 casca de limão
1 colher de margarina
1 ou 2 gemas de ovo
Canela para polvilhar


Modo de preparação:
- deitar o leite e a água numa caçarola (tacho, panela, não sei como dizem no Brasil!), misturando a margarina, o pau de canela e a casca de limão;
- juntar a aletria partida, quando a mistura de água e leite estiver a ferver (deverá parecer demasiado líquido para tanta massa, mas é normal, porque a massa inchará e o açúcar ajudará a tornar o líquido cremoso);
- deixar cozinhar em lume brando, acrescentando progressivamente o açúcar (o ideal é ir provando para adicionar apenas o açúcar necessário);
- se necessário, ou seja, se a massa de aletria ficar demasiado seca, pode-se adicionar um pouco de leite. O resultado deve ser uma espécie de creme e não massa seca (é preferível que se possa comer à colher do que se possa cortar com faca!);
- quando a massa estiver cozida (o que tarda apenas uns 15 min.), acrescentar a(s) gema(s) em fio e mexendo sempre para não retalhar (as gemas dão cor à aletria e tornam o creme mais ‘elástico’);
- retirar do lume, colocar em pratos (com o cuidado de retirar o pau de canela e a casca de limão – que, com o tempo, azedam a aletria) e, quando esfriar, polvilhar com canela.

Pode comer-se morno ou frio.

17.1.12

ESTÃO SE ADIANTANDO

de Affonso Romano de Santanna*
Eles estão se adiantando, os meus amigos.
Sei que é útil a morte alheia
para quem constrói seu fim.
Mas eles estão indo, apressados,
deixando filhos,obras,amores inacabados
e revoluções por terminar.

Não era isto o combinado.

Alguns se despedem heróicos
outros serenos. Alguns se rebelam
O bom seria partir pleno.

O que faço? Ainda agora
um apressou seu desenlace
Sigo sem pressa. A morte
exige trabalho, trabalho lento
como quem nasce.





*poema feito pelo autor pensando em Bartolomeu Campos Queirós.
gentilmente cedido para publicação neste blog

13.1.12



amor:
substantivo;
instável.






26/12/21011

Imperativos de ano novo

faça mais que sua parte
faça a de um outro, também

sinta-se na pele do outro
chore as dores e os tombos

ruborize-se, do ridículo
seja o outro

busque a dimensão humana
no outro